Afrolatinas

Preta, por onde anda o AutoCuidado?

por: Júlia Nara / Coletiva Pretinhas

Durante muito tempo, arrisco e afirmo dizer que desde o período escravocrata as nossas antepassadas tiveram arrancadas suas origens. O cuidado por ser algo que atravessa internamente nosso povo e as nossas comunidades passa a ser esquecido porque nem sempre havia tempo de fazê-lo, como até hoje às vezes não dá tempo. A negação das emoções ganhou espaço em nossas vidas.

Porém, seguimos na tentativa do regaste de identidade, das nossas origens, de equilíbrio com a nossa cabeça e fortalecimento de nossa ancestralidade. Encontrou seu auto-cuidado? Saiba que está aqui, tá perto, tá no sopro de cada vento quando pensamos que não há mais para onde ir, na água do mar quando pensamos em desistir, na força e determinação de cada novo sol. O autocuidado ancestral está presente.

Mulheres Pretas precisam de cuidado. Nós cuidamos de toda humanidade por muito tempo, carregamos a base da pirâmide por muito tempo, e se o cansaço chegou em nossas avós, tias, irmãs e mães, por que não chegaria em nós, se somos Ubuntu?

Estamos cansadas sim e iremos nos permitir descansar também. Pois se o racismo não parou até hoje e continua tentando nos parar, não vamos desistir. Estamos praticando autocuidado e cuidando das nossas, curando nossas cicatrizes históricas, voltaremos sempre mais forte para continuar a enfrentar o sistema opressor.

Pausaremos quando necessário para buscar quem nos ouça, pegaremos a erva que Orisà recomendou a nós, seguiremos nossa intuição, pois quem nos guarda não dorme e sempre nos ajudou e ajudará a caminhar com firmeza. Nunca pare por medo, pause se preciso, descanso é preciso – e merecido.

Respira com calma, ouça aquela música que te inspira, cante, dance, ria, durma, chore quando quiser chorar. Siga viva, se cuidando e cuidando de quem está ao seu lado.

Auto-cuidado é sobre!

Axé com AfroAfeto: experiências da coletiva pretinhas.
por Jackeline Silva / Coletiva Pretinhas

A Coletiva Pretinhas (re)une experiências para promover ações afrocentradas, pensadas, criadas e destinadas às mulheres negras periféricas em toda sua diversidade (geracional, sexual, cultural, gênero) tendo como foco o AfroAfeto para o empoderamento, elevando a autoestima, promovendo a dignidade da mulher negra em todos os níveis (cultural, social, econômico) para o seu bem viver.

Atuamos nos campos de direitos econômicos, sociais e culturais, autocuidado e bem-estar, saúde mental, direitos sexuais e reprodutivos priorizando pretas LBT, mães solo, mulheres autônomas e empreendedoras.

A nossa missão é auxiliar as jovens e mulheres negras em toda a sua diversidade a se reconectar com a sua ancestralidade, recuperando o equilíbrio mental e espiritual, para que se sintam fortalecidas, com autoestima elevada e se reconheçam como potências transformadoras da sociedade em todos os espaços onde circulam e atuam. Acreditamos que a revolução é preta e nós somos parte dela.

A nossa estratégia é criar espaços de acolhimento, conversa, cura e cuidado afrocentrados para nos fortalecer individual e coletivamente. Vivendo a exclusão social e econômica no Distrito Federal e Entorno, geografia que separa as pessoas propositalmente pela sua raça e classe, realizamos encontros para falar sobre as nossas estratégias de sobrevivência e resistência durante atividades de autocuidado e AfroAfeto, como rodas de conversa, encontros de lazer e vivências voltadas para jovens e mulheres, que podem ser ativistas ou não, mas que enfrentam diariamente as opressões de raça, classe e gênero.

A nossa coletiva é a principal referência no DF por promover e conduzir ações de AfroAfeto e Autocuidado gratuitamente, inspirando pessoas, grupos e profissionais a trabalhar da mesma maneira voltando o olhar para a juventude negra que enfrenta inúmeros dilemas e opressões, tais como o desemprego, tentativa de suícidio, desânimo e desilusões, criminalidade, tráfico de drogas, prostituição, etc., marginalizando nosso povo como resultados do racismo estrutural e suas múltiplas facetas que afetam a nossa saúde mental da população negra.

Instagram da coletiva: @coletivapretinhas

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