Serviço de Preta​

Serviço de Preta​

As principais feiras e festivais de arte e cultura do mundo possuem espaços conhecidos como “Ambiente de Mercado”, onde são realizadas conferências, rodadas de negócios, pitchs, showcases e outras atividades, com o objetivo de fomentar a cadeia produtiva e gerar oportunidades para trabalhadores da cultura. Assim como no mercado de trabalho em geral, a cadeia produtiva das artes e da cultura reproduz desigualdades estruturais que negam oportunidades mínimas para agentes culturais e empreendedores negras e negros.

Apesar de todo o legado da cultura negra para humanidade, os espaços onde se discute o mercado da arte e da cultura, têm sido historicamente negados para pessoas negras. E não basta simplesmente estar lá, já que, não raramente, não dispomos das ferramentas necessárias para corresponder ao network e às dinâmicas lineares, eurocentradas e embranquecidas da indústria.

Temos acompanhado com otimismo os esforços de alguns dos maiores eventos do Brasil no sentido de buscar soluções para equidade de gênero e raça em suas programações. Ao mesmo tempo, decidimos, criar o nosso próprio ambiente de mercado.

Para a construção desse espaço nos inspiramos no legado de empreendedorismo decolonial, construído e manutencionado por mãos e mentes de mulheres negras da Irmandade da Boa Morte – na ativa há mais de duzentos anos. Já no século XIX a Irmandade da Boa Morte criou estratégias bem estruturadas de resistência e preservação da identidade cultural preta e comprou alforria de pessoas escravizadas com a venda de quitutes, contribuições e taxas de seus associados.

A partir da responsabilidade de dialogar com as origens afrocentradas do empreendedorismo brasileiro (que nasce da necessidade de sobrevivência, liberdade e reação à escravidão e à violência), nosso primeiro ambiente de mercado é um ambiente de preparação, com oferta de workshops, cursos, mentorias e ferramentas – um espaço de formação empreendedora especialmente criado para trabalhadoras negras da cultura.